23 de outubro de 2007

Pra uma pessoa especial, mesmo que não leia...

Certas coisas na vida simplesmente acontecem sem que possamos evitá-las, por mais que tentemos desesperadamente manter a quietude, manter o atual. Um esbarrão na rua nunca é intencional (ou quase nunca, vá lá) e pode ser somente um esbarrão. Sentar-se ao lado de alguém num ônibus acontece todo santo dia, com uma regularidade assustadora. Entrar num elevador com um estranho é mais que comum. Mas, um dia... Um dia o esbarrão causa uma troca de olhares, uma crise de risos; um dia, senta-se ao lado de alguém com quem se inicia uma conversa que vai te fazer bem naquele dia em especial; um dia, o estranho no elevador pode deixar de ser estranho num piscar de olhos, caso vocês fiquem presos juntos por cinco minutos que sejam...

A vida é assim, cheia de momentos imprevisíveis e pessoas que vem e vão. Muitas vezes não entendemos a função das pessoas nas nossas vidas – ou até nem sabemos que tais pessoas têm uma função – e inventamos motivos, criamos razões, subestimamos quem chega e quem sai do nosso convívio. Nem sempre as pessoas trarão algo de bom, mas a única certeza que devemos ter é que cada ser humano contém uma lição pra nós, e lições podem ser boas ou ruins de serem aprendidas. Mesmo que ‘algo de bom’ não seja maioria absoluta, não podemos perder a fé de que vão existir, sim, pessoas que serão como presentes em nossas vidas. Ou como estrelas cadentes: vão passar rapidamente, mas deixarão a lembrança de uma belíssima passagem.

Confesso que as estrelas-cadentes não me deixam muito felizes. A efemeridade só me agrada nas paixões, no tesão, na atração. Quanto às pessoas em si, prefiro os presentes – mesmo os de grego, como se diz por aí – porque assim posso ter a ilusão de tê-las um pouco comigo. Quero sempre os que ficam mais do que uma estação, quero tanto os que eu possa amar quanto os que possa detestar, quero os que me deixam feliz e os que me deixam triste também. As estrelas-cadentes sempre nos deixam felizes, mas a passagem é rápida e nem sempre conseguimos acompanhar e apreciar a beleza que têm. Além disso, mesmo passando rapidamente, a sua trajetória fica marcada pra sempre na memória, é tempo suficiente para desejarmos mais delas.

Como boa sagitariana, digo que ninguém é obrigado dar nada de si, a retribuir algo que julgue como obrigação – a única obrigação que cada um de nós tem é a do auto-respeito, de não se agredir, de não fazer algo que não nos agrade ou que nos faça mal – a obrigação maior é fazer apenas o que se quer, o que se faz por livre e espontânea vontade. Prefiro quem me ligue a cada dez anos com saudade a quem me ligue a cada dez minutos por obrigação.

Não acredito que você leia isso aqui, mas é o que eu queria te dizer. Por tudo isso é que desejo e torço (apenas, sem exigir nem esperar) que não sejas uma estrela-cadente. Um beijo enorme.

13 comentários:

Ingrith disse...

Uau que texto lindo... Ah estou na torcida pra que ninguem que passe na sua vida seja como estrela-cadente. Que sua vida seja repleto de amigos que durem uma eternidade e que seja com muita verdade e amor!

Espero que a pessoa leia!

[ r ê ] disse...

tomara que essa pessoa leia, vai fazer muito bem a ela!

ter uma amiga como vc faz bem!

:)

Diego disse...

muito belo o teu texto, muito profundo também... acho que representa bem, situações da vida, tanto de doação quanto de egoísmo [e de maneira alguma isto é uma crítica] - axeu um texto muito apaixonado, não por alguém, mas por conhecer a si mesmo e lidar com as diferenças entre as pessoas! Parabéns!

bj

Diego

Helen disse...

E se for estrela cadente, amiga, aproveite enquanto estiver brilhando. O depois vem... depois!

bjka!

As partes interessadas disse...

Tomara que essa pessoa leia, lindona, porque o texto tá bacana! Bjocas!

Cinthya Rachel disse...

querida, concordo que todas as pessoas trazem um aprendizado e que todas tem um motivo por estarem em nossas vidas. be happy

Andrea disse...

Boas vibrações daqui. Bjs

[ r ê ] disse...

ah! se ele não ler, é ele quem perde...hohoho

Aline disse...

Obrigada pelos elogios ao texto e pelos votos, galera. Trata-se de uma amizade muito legal, e espero que a pessoa leia, sim!

Beijos a vocês todos!

Denise. disse...

esperamos que leia, e quando ler saberá que não deve ser uma estrela cadente.
e eu gosto de sagitarianos.
meu irmão é assim, não faz nada obrigado, só te vê quando está afim, e apesar de achar ele um pouco ausente, quando está conosco ele é inteiro. gosto de sagitarianos.

eu mesma, Rê disse...

oun, a coisa fofotchuca será mui apertada e mordiscada, podeixar que entrego o recado! ^^

gostei bem muito dessa musga que toca aqui!

=*

Aline T. H. disse...

Rê, mordisca tudim tudim por mim!

E eu amo a musga demaaaais da vida.

Beijoca.

Aline T. H. disse...

Dê, esperemos que leia. E tenha mesmo essa sensação de não ser estrela cadente.

E obrigada pela parte que me toca =) Os sagitarianos são mesmo assim, não cobramos nada de ninguém e não somos chegados às cobranças, mas quando nos doamos, é de verdade, pode ter certeza.

Beijo grande.