8 de abril de 2008

Meu irmão, o mosquito e a republiqueta

Meu irmão é a minha paixão, quem me conhece sabe disso. Sou a mais coruja das irmãs e, apesar de ser cronologicamente mais velha, ele é o velho de nós dois, no bom e em alguns maus sentidos. Sobre a Casa, por exemplo, ele não entende nem concorda muito, mas de vez em quando espia aqui - a frase-título do meu perfil foi sugestão dele, quando viu a foto que eu tinha escolhido (e ele tirou, by the way). Ele tem um senso de humor ótimo, é inteligente, é crítico e é um excelente profissional. E, agora sim, cheguei no ponto principal desse post.

Como vocês devem lembrar, ele se formou no fim do ano passado, depois de uma luta que todos travamos, ele mais do que qualquer outra pessoa. Aí foi pra Aeronaútica, treinou durante três meses, e se formou há quase duas semanas. "Agora ele vai para o hospital", vocês dizem. Bem, é quase isso: ele foi pro Hospital de Campanha que atende os pacientes com suspeita de dengue. Nada de dia-a-dia hospitalar, ainda, mas uma rotina pesada e triste, cheia de crianças e idosos, cheia de middle-aged people em estado grave, cheia de trabalho sem fim. Não estou reclamando do meu caçula estar trabalhando, não, estou reclamando dessa republiqueta féla em que vivemos onde ainda existe epidemia de dengue, onde ainda tem gente que não deixa os agentes de saúde entrarem nas casas para evitar o mosquito, onde os Sérgios do Poder Público (o da Saúde e o Governador) gozam com o pau dos outros e ainda se fazem de vítimas.

Meu irmão e os colegas dele que estão trabalhando horrores no HCamp já apareceram até na CNN International, vejam vocês. Médicos vão aos hospitais em suas folgas para ajudar, recém-formados trabalham em regime de guerra para ajudar, moradores conscientes jogam peixes nos lagos dos prédios bacanas para ajudar, o zelador do meu prédio (que é meio rêta, diga-se de passagem) joga água sanitária no chão para ajudar. A palavra EPIDEMIA só não é usada pelos imbecis que estão no poder (por motivos óbvios), a não ser que estejam um falando mal do outro.

Sinceramente? Tem horas em que eu não sei o que ainda faço morando aqui. Depois me lembro que é por causa do meu irmão e daqueles que nos trouxeram ao mundo, principalmente, e dos que trouxeram meus pais ao mundo, e de outros que também foram trazidos por eles, pelos amigos que conquistei e pelos que ainda tenho a conquistar. Porque tá foda, minha gente, F-O-D-A.

4 comentários:

A Outra disse...

uma irmã dessa eu queria, só nao queria ser medica num surto de dengue no RJ.

=P

bjsss

Ingrith disse...

Ele é solteiro? Nossa pq eu vi a foto dele... e fiquei apaixonada tb! rsrs

Ah que coisa triste ai no Rio né? E como podem os governantes dizer que ´não é uma EPIDEMIA?

Helen disse...

Às vezes fica bem difícil defender a republiqueta, né, miga?

bju!

Lekkerding. disse...

A situação no Rio ficou crítica sim, mas... Em outros lugares, outras doenças já aterrorizaram bastante. Aqui mesmo, tivemos problemas com este mosquitinho feladapota(o engraçado: fiquei pensando que não adianta muito as pessoas cuidarem da água parada de suas casas, sendo que há kilolitros de água parada que ninguém cuida em 3 rios diferentes no meio da cidade, sem contar o monte de córrego), muitas cidades do Nordeste ainda sofrem com poliomelite... Enfim, é um país tropical e que precisa de uma certa atenção, mas calma. As coisas passam. A dengue passou - deu licença pra rubéola, coisa que deu em Sampa há quase 10 anos atrás também - e tudo passou. Agora é só cuidar. ^^