19 de outubro de 2008

Perguntas, respostas, interrogações sem fim

Eu só queria saber onde ficam as respostas... As perguntas, eu as tenho aos milhões comigo, desde que aprendi a falar (ao menos que eu me lembre, talvez já me perguntasse que lugar escuro e molhado era aquele antes de sair da barriga da minha mãe) e muitas delas nunca têm resposta. Ao menos não satisfatória.

Não falo nem das mais difíceis aqui, não, como as clichês "para onde iremos?" ou "de onde viemos?" ou mesmo "o que será que tenho de errado?". Falo de perguntas simples, diretas e objetivas que quase nunca são respondidas por alguém ou por coisa alguma, daquelas que a gente faz num momento descontraído e sem usar de retórica. Ah, porque a retórica é uma das minhas coisas favoritas... Mas nem dela estou falando aqui, excluam-se as retóricas do meu questionamento sobre respostas. Quero respostas pros porquês mais simples e óbvios e parece que elas não vêm nunca, se escondem e se esgueiram como ratos num beco imundo.

Não saberia passar pela vida sem perguntar - vivo perguntando tudo a todos que conheço. Confesso que respondo a poucos dos que me perguntam sobre mim mesma, mas quando o faço, faço com verdade, o que nem sempre agrada à quem perguntou, já que a verdade não vem embaladinha pra presente, muito menos pintada de cor-de-rosa e estrelinhas piscantes. A verdade pode ser agradável aos olhos e aos ouvidos, sim, mas não é este seu principal papel no mundo - quase nunca ela será aquilo que você ou eu queríamos ouvir ou ver.

Mesmo perguntando muito, guardo várias perguntas aqui na minha garganta (ou nos meus dedos) e não é pelo medo da resposta, que pode ser uma verdade não agradável. Guardo as perguntas numa bolsinha bem fechada porque elas podem fazer com que os inquiridos lembrem-se da resposta e da verdade e não acredito ter o direito de ficar trazendo à tona os amargores e arrependimentos de ninguém, principalmente daqueles de quem gosto. Às vezes, tenho uma vontade louca de perguntar certas coisas, e me calo. Simplesmente calo e seguro a pergunta maldita dentro de mim, e tento nem deixar que percebam que eu queria mesmo era perguntar... Penso que pareço meio indiferente de vez em quando, mas não é o caso. Se tem algo que não sou é indiferente: tudo que acontece, por menor ou menos importante que seja, com alguém que eu me importe ou mesmo só conheça, me modifica e me afeta. Eu sou assim, acho que nunca deixarei de ser, e nem reclamo porque gosto de sentir por quem me cerca de alguma forma.

Queria que, pra esta pergunta - "será que ela não se importa com nada?" - todas as pessoas quem me conhecem saibam da resposta: sim, eu me importo, me afeta e eu me preocupo. Só não vou te perguntar, mesmo que isto signifique ficar com uma interrogação gigante entalada aqui em mim. Detesto interrogações, mas detesto mais ainda incomodar.

4 comentários:

Sisa disse...

Ando com tanta pergunta entalada que se eu pudesse perguntar tudo, nem sei por onde começaria. Horrível isso, né?

Brandão disse...

Eu tenho uma resposta: 42!
Só quero saber qual a pergunta delas...
Quem leu Douglas Adams, vai entender...

Fabio Fernandes disse...

Prefiro incomodar do quê me sentir incomodado. Se tá com dúvida, pergunta ué, se dar a resposta for incômodo deixa que o incomodado que se incomode. Acho que não devemos nos acomodar com o quê incomoda...

Dúvidas todos temos, mas é melhor juntar alguns pontos finais e exclamações, do quê ter apenas um monte de interrogações.

Aline T.H. disse...

Sisa, tem horas que é melhor beber água pra ajudar a descer e nem vomitar tudo isso...

Brandão, todos queremos saber as perguntas...

Fabio, concordo com você. As minhas interrogações incômodas invariavelmente são trocadas, cedo ou tarde, por pontos finais ou exclamações e, como eu disse, quando não o faço, é por me preocupar-me com quem me dê a resposta e não se vou gostar ou não do que vou passar a saber. Mas, me diz uma coisa: a gente se conhece?? Se não, é uma coincidência sem tamanho...

Beijos a todos!