10 de outubro de 2010

Eu que me foda?

Eu gostaria de perguntar ao Exmo. Governador do Estado do Rio de Janeiro - reeleito na última eleição, no primeiro turno - se ele conhece e já passou mais do que alguns poucos minutos de campanha no subúrbio da Cidade do Rio de Janeiro. Gostaria também que a Polícia Militar respondesse a esta pergunta - e, claro, que o Digníssimo Prefeito o fizesse também. Porque eu não acredito, não posso acreditar, que eles sequer tenham colocado o pé por aqui.

Meus pais moram aqui há 27 anos. Voltei a morar com eles há três anos, já que o apê é grande, não havia a menor necessidade de pagar aluguel e, acima de tudo, porque sempre foi tranquilo morar aqui. Foi. Era. Qualquer passado que não se estenda ao presente, que fique claro. Porque as famosas, alardeadas e propagandeadas UPPs instaladas nos morros "famosos" do Rio de Janeiro (seja a fama por estarem na Zona Sul ou por aparecerem sempre nas páginas policiais) estão apenas fazendo com que os bandidos, estas pessoas tão simpáticas que entregavam santinhos dos candidatos de um determinado partido político no dia da eleição, se mudem. Porque... Se ninguém os prende (ou prende uma meia dúzia para que a tevê possa mostrar), eles se mudam. Pois é, vieram pra cá. Eu que me foda, né? Não, não é.

Eu pago impostos, trabalho, consumo, dou dinheiro ao Estado e à Cidade do Rio de Janeiro. Eu sou honesta. Eu sou um ser humano que cumpre com suas obrigações cívicas e, pasmem, até com as morais. Eu não assalto, não vendo nem consumo drogas, não mato, não torturo e nem ando armada. Mas a refém, a presa, a enjaulada, hoje, sou eu. Hoje, não: há três dias e duas noites. Porque o tiroteio aqui do lado, que de tão próximo me permite ver as traçantes azuis e vermelhas passando pela minha janela, não me deixa sair, consumir, comprar. Não me deixa fazer nada, obviamente, que resulte em colocar o pé pra fora de casa. Foda-me, né? Não, não é.

Acontece que eu quero que os REAIS CULPADOS se fodam. Não vou dizer quem são ou deixam de ser porque não tenho dinheiro pra ser processada. Eu, que sou uma pessoa honesta e não uma criminosa, é que não posso mais levar pancada e ficar sitiada. Não sei quem vai ler, quem se importa e muito menos quem irá resolver este problema, mas alguém tem que dar conta disso, já que eu TENHO O DIREITO de ter segurança e poder andar LIVREMENTE pelas ruas de onde moro.

Neste exato momento, o tiroteio acontece. Ouço daqui. Ainda não vejo as balas, porque ainda não escureceu - mas daqui a alguns minutos, quem sabe, este outro fator do show de horror que se instalou sobre a cidade me seja possível. E vou sair de casa. Proibí meus pais de sair e meus avós, que estão fora, de voltarem. Eu sou a mais nova, mas protejo quem amo - já que o Estado não faz ABSOLUTAMENTE NADA pra isso.

6 comentários:

poucaspalavras disse...

Belém está quase assim...

Uma grande amiga me perguntou se seria bomtentar a vida por aqui e eu disse NÃO!

Eu mesma já convenci a família de sair daqui caso a governadora se re-eleja (o que é muito difícil de acontecer, devido alto índice de rejeição).

Não é justo que nós honestos permaneçamos por trás das grades - por segurança- enquanto eles, os maiores culpados, estão soltos.

#oremos.

Renata (impermeável a) disse...

to tão revoltada hoje!

Com tanta coisaaaaaaa neste pais, com a esquerda, com a direita, que nem sequer existem mais...
Sou revoltada com os cariocas e como aceitam as coisas.........
Com os paulistas que se dizem tão tão e elegem tiririca
Com meus paranaenses que tem medo de comunistas como se estivessem nos anos 40,50...........

Sabe......

Fiquei cantando a musica da rita lee, se Deus quiser, um dia volto a ser indio..........

Isto se o pajé não tiver aliado a Roseane Sarney ..........

Nira disse...

Infelizmente para a maioria dos governantes, a ideia é essa mesmo: o povo que se exploda porue eles não estão nem aí. Só ligam para o próprio bem estar. É realmente uma pena que você e um grande número de pessoas sejam obrigados a enfrentar essa realidade no cotidiano!

Ane Brasil disse...

pô, que situação!
Cara, aqui em Porto Alegre a coisa ainda tá sossegada... a gente consegue ir e vir por quase toda a cidade.
Claro que tem coisas bem problemáticas, zonas em que alguns conflitos rolam... mas a organização aqui é menor - do crime.
Sorte e saúde pra todos!

Chris Ribeiro disse...

Infelizmente, estamos cada vez mais sitiados e o governador por aí, chamando pobre de otário.
O povo é tão otário que reelegeu o "fodão"...

Bruno Moreira Lima disse...

Corroboro com sua indignação, minha cara chefe! Paliativos de enfeite para jogos burgueses só trazem mais problemas para esta cidade dos infernos que dizem "maravilhosa". O é porque foi onde nascemos e nos conhecemos todos... Nada mais que isso (mas isso é muito!)
Me amarrei no seu blog! Parabéns! E o nome é do cacete! Hehehehe
Beijão e, quando tiver um tempo, me visita também, pô... Vai ser uma honra: http://bmoreiralima.blogspot.com/

Beijão!