12 de agosto de 2014

Preconceitos estão mais "in" do que nunca na moda

Preconceitos andam tão in que até pessoas que sofrem alguns e lutam contra preconceitos são preconceituosas em outros "campos de atuação". Preconceitos contra religiões, então, estão muito en vogue, e isso me deixa ainda mais preocupada e emputecida...
Essa matéria saiu por O Globo ontem e mostra que a internet tem sido o grande veículo de liberdade para a humanidade, sim, mas é tanta liberdade que há quem se aproveite disso para fazer o mal, incitar o ódio ou  provocar discórdia entre o máximo de pessoas possível.

Imagem de vídeo que mostra pastor exorcizando pessoa
que frequentaria terreiros de candomblé
Um dos trechos da matéria acima diz que "Uma busca rápida no YouTube indica as proporções do problema. A combinação dos termos “candomblé” e “demônio” resulta em 7.290 ocorrências. “Umbanda” e “Lúcifer”, em 4.610. Já a expressão “Ex-pai de santo” está associada a 13.600 vídeos da plataforma. Além de rituais de exorcismo, o material encontrado na web mostra um festival de ofensas às religiões de matriz africana, associadas erroneamente ao demônio".

O Espiritismo, chamado de Kardecismo por vários, é a minha religião. Já sofri (e sofro ainda) preconceito, mas ainda ouvi o seguinte absurdo: "ah, ao menos essa 'categoria' de vocês só acredita em espírito e reencarnação e não nesses demônios". E tive que ficar quieta, nem pude bater na contestar a pessoa que me disse isso. Em compensação, conheci uma pessoa que é Batista e estudou todas as religiões possíveis antes de escolher aquela na qual mais acreditava e, mesmo escolhendo esta, respeita a todos - pessoas boas e esclarecidas ainda existem, minha gente.

A matéria de domingo no Globo já demonstrava o quão violento esse preconceito pode ser, mostrando que "De janeiro a 11 de julho deste ano, eles foram vítimas em 22 das 53 denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, segundo levantamento feito a pedido do GLOBO". Há também quem não considere Umbanda e Candomblé religiões, como o Sr. Juiz da 17a vara de Fazenda Federal do RJ, Eugênio Rosa de Araújo citou em sua sentença (e se arrependeu depois, ao menos  conforme declarou), instaurando, assim, uma "permissão" ao preconceito contra estas religiões, já que é autoridade em sua área e isso é péssimo, mesmo que sem violência física.


Devoção atacada: na imagem, adepta da umbanda acende vela em reverância a orixás. Culto às entidades africanas é associado ao demônio em vídeos na web
Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo
Foto: Domingos Peixoto/Agência O Globo
O fato é que preconceitos nunca saem de moda e hoje estão apenas aparecendo mais, devido à tecnologia e à velocidade que a informação corre dentre nós; e são vários deles, como contra gordas (beijo de quem ganhou quase 40kg de volta com o tratamento, até agora), gays, lésbicas e bissexuais ou apenas você ser do sexo feminino, por exemplo. Mas deixemos estes para outro dia, que já me revoltei demais com esse sobre o qual escrevi...


PS: A matéria da Carta Capital sobre o assunto saiu hoje, falando sobre o incêndio criminoso no terreiro de candomblé Kwe Cejá Gbé – A Casa do Criador – da mãe de santo Conceição d’Lissá, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ocorrido em 26 de junho e denunciado.

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