13 de novembro de 2008

I'm a duck and I like it!

"Álcool é bom pra escrever", assim você acaba de me dizer. Sim, é mesmo: me liberta de certas amarras que a idade (e a maldita sociedade decadente e cheia de não-me-toques) trouxe pra dentro de mim. Eu escrevo, sim, até porque adoro desafios - se era uma ordem, considere-me uma subversiva às tuas leis, como sou na maioria dos casos aos quais tentam me submeter de alguma forma. E é claro que eu desobedeço só pra provocar.

Lá fora troveja forte e chove mais forte ainda, e sinceramente (eu já disse que o álcool me deixa sincera, não?) só pensei em ter você por aqui pra poder te beijar até perder o fôlego, debaixo da chuva fria e torrencial que cai, até que não mais pudesse e te trouxesse pra dentro de algum lugar onde só a gente pudesse estar. Primeiro pra rir, gargalhar um da cara do outro, ver como estamos engraçados com a roupa molhada de chuva e o cabelo esquisito. Depois, pra esquecer que há o tal mundo lá fora e aproveitarmos como melhor quiséssemos... Sabe você como, porque eu nem ouso imaginar hoje, que minhas asas nem são de cera e estão preparadas o suficiente pra voar, mesmo que debaixo de chuva forte.

Call me crazy, I don't care. Vinícius, o poetinha por quem me apaixonei desde menina (teria sido a décima esposa dele, fôssemos contemporâneos), já disse há tempos que "o whisky é o melhor amigo do homem - é o cachorro engarrafado", não? Eu não bebo whisky, mas a cerveja de vez em quando me liberta de ter alguns receios - por que é tão difícil a gente dizer "olha, eu tenho o maior carinho por você, sim, mas não te preocupa porque não sou doida de pedra e não vou ficar grudada no teu pé feito chiclete, porque sou adulta"? Eu não sei, mas é difícil fazer isto quando se está completamente sóbria... E eu queria ter dito antes, mas nunca consigo, porque os grilhões presos no meu pé são quase impossíveis mesmo de arrastar. Mas hoje sou meio como o Marquês de Sade, quando lhe tiraram a pena e o papel: mesmo que fosse preciso sangue, escreveria o que quero, mesmo que nas paredes à minha volta. E escrevi.

Você vai receber este texto por e-mail em alguns minutos e, amanhã, eu vou estar com as bochechas explodindo de tão vermelhas. Mas se valer um sorrisinho tímido que seja, que explodam as benditas! Eu quero ver você sempre bem, sempre brincando, sempre implicando e sempre me enchendo. Sempre. Não por mim ou porque eu adore tudo isto (adoro, é fato), mas por você mesmo. E sei que, paradoxal e estranhamente, tu já sabe que é verdade, que não tou nem aí pra mim nestas horas, que quero mesmo o melhor de quem eu goste, e eu gosto de você. Quero que você leia este meu e-mail e se veja todinho em cada linha, sinta a "culpa" inteira de um texto só porque você pediu (ou mandou? Ainda estou em dúvida!) e, acima de tudo, sabia que é um PRESENTE. Não é moeda de escambo ou pagamento ou nada ao quê eu vá exigir algo em troca - eu nunca exijo algo em troca de nada que eu dê voluntariamente, não te preocupa. Aceita este presente e faz dele o que quiser, porque é teu, só teu. E é só o primeiro.

"Whatever makes you happy, whatever you want" - Creep, Radiohead.