17 de julho de 2008

Divagações

Vendo Bridget Jones pela enésima vez (quarta à noite pós-futebol, a gente vê o que tem de menos ruim), percebi algumas coisas que não tinha percebido antes e fiquei delirando em algumas definições do filme. É claro que é um 'clássico' sobre mulheres solteiras na casa dos trinta (uuuuui), mas também não é nenhuma bíblia, ou um retrato tão fiel assim...

A trilha sonora é ótima, com destaque para Aretha Franklin cantando Respect e a última música do filme (na minha opinião uma das melhores), Someone Like You, do Van Morrison - destaque pra frase 'the best is yet to come', que deveria ser um alento ou mesmo um mantra pra qualquer pessoa desse universo. As cenas são engraçadas e espirituosas, até mesmo românticas em alguns casos, mas sempre vejo mulheres falando desse filme como uma referência em termos de 'esperança pras solteiras mais velhas'. Na boa? Não é por aí, e vou dizer o porquê dessa certeza.

Em primeiro lugar, o duelo Daniel Cleaver X Mark Darcy é comum na vida de qualquer mulher de 18, 28 ou mesmo 38 anos. Sempre tem um Mark Darcy (SEMPRE, só que nem sempre a gente se dá conta disso na hora certa) e vários Daniel Cleaver presentes ao longo das vidas das mulheres, seja em que idade for. E vou além: o Daniel Cleaver de umas pode ser o Mark Darcy de outras, é uma questão de momento certo. Que atire a primeira pedra quem nunca sacaneou um amigo ou amiga, mesmo que sem querer, então ninguém nessa terra é santo quando o assunto é relacionamento - e se você não é, como pode presumir que o outro/a outra seja? Não estou querendo dizer que o mundo é um bacanal desenfreado e muito menos que eu me sinta bem com a idéia, claro que não, mas sim que as pessoas têm fases, momentos nas suas vidas, só isso. Somos humanos e cheios de falhas, graças a Deus. E ainda agradeço à existência dos Daniel Cleaver's em nossas vidas, ou o sexo se restringiria a namoros sérios, o que não seria nada bom.

No mais, a sucessão de clichês românticos e comportamentais nos faz lembrar que é um filme, uma estória. Ou pelo menos deveria fazer, já que tenho visto tantas mulheres ultimamente tomando essas estórias como guias em suas vidas. Seria ótimo se a vida fosse assim: você, mulher gordinha, que fuma, bebe, fala demais, mas tem sua beleza e seu charme, dorme com um cara excelente de cama mas que é um cafajeste, se decepciona, mas chega um cara todo 'direitinho' que é apaixonado por você; você dormiu com seu chefe, fez alguma merda no trabalho, sai procurando outro (melhor) e acha logo, pra começar djá e dar um pé-na-bunda da empresa que te subestima há séculos. Não é assim que funciona, exceto em casos de sorte extrema e predestinação total. O grande problema da mulherada de hoje (e aí sim me restrinjo a falar da minha faixa otária) é idealizar demais e viver de menos, se projetar em ideais televisivos ou cinematográficos - além dos livros de auto-ajuda - e esquecer que a vida é feita de cada passo que a gente dá na rua, de cada célula do nosso corpo.

Enfim, filme ficcional ou não, é sempre uma boa diversão. Especialmente pra uma mulher gordinha na casa dos 30, que fuma, bebe e fala demais - mas tem sua beleza e seu charme, acreditem.

Um comentário:

Ingrith disse...

Gordinha? Onde? Só tô vendo uma menina que tá pertinho do IMC idela! hehehe

Mas eu odeio esses filmes, parece que a vida de todo mundo vai dar certo! Menos a minha é claro! hahaha