Um a um

O que é isso que a gente tem, me diz? Desde que te conheci você povoa meus sonhos – e é sempre tão real que eu acordo com raiva, mesmo quando estamos juntos num pesadelo, como na noite passada. Sinto seu toque, seu cheiro, seu beijo, seu calor, ouço Djavan cantando só pra nós dois.

Arnaldo Antunes canta “meu riso é tão feliz contigo” bem pertinho do meu ouvido, e a única pessoa que me vem na cabeça é você. Nesses três anos, passamos a maior parte do tempo afastados e cheguei a esquecer que você existia, ao menos por alguns segundos – sim, porque sempre que eu esquecia, um sonho, um encontro ao acaso ou uma notícia de você se encarregavam de me lembrar que você ainda estava ali.

Nando Reis insiste em dizer que "eu estava em paz quando você chegou", insiste em me lembrar dessa agonia que é viver tão longe e tão perto de você, dos momentos a sós tão frios, dos momentos divididos com vários outros e tão quentes, os olhares tão devastadores e tão reveladores dessa cumplicidade que nasceu na hora em que nos entreolhamos pela primeira vez, mas que insiste em continuar velada.

Mais uma vez ele, o Nando, me faz pensar que "o que eu te dei foi muito pouco, ou quase nada..." Me pergunto se ainda dá tempo, se você ainda quer tudo de mim, ou mesmo se já quis um dia, já que nunca dei-me a chance de ter essa certeza; quem me dera eu tivesse deixado você me beijar naquela noite fria que vimos ir embora juntos, naquele amanhecer lindo que veio logo depois – eu sei, a minha covardia guardou aquele beijo na tua boca e talvez eu mereça mesmo não saber se ele ainda é meu.

“Se um dia eu pudesse ver meu passado inteiro e fizesse parar de chover nos primeiros erros”, talvez não estivesse aqui me lamentando e cogitando tanta coisa sobre nós dois, talvez estivesse deitada ao teu lado ouvindo Capital Inicial e cantando junto, só pra ver você me olhando admirado e sorrindo – mas nunca teremos certeza de nada disso.

"Você sabe que eu só penso em você." A minha fé reside no Djavan que, coincidência ou não, você sempre está ouvindo quando vou até você, e que sempre toca nos meus sonhos quando estamos juntos. E prometo que se você cantar pra mim, eu dou. Eu solto a louca e ardo de paixão, sem doer pra decidir, sem nem precisar de dragão.

Comentários

Fênix disse…
Ah, os Se's da vida.
Se tivesse beijado...
Se tivesse permitido...
Vai saber, não é?
Um dia, talvez...

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