Quem eu quero ser

Tem horas em que tenho certeza que o melhor é te deixar em paz, sem escrever uma palavra sequer, sem dizer um único oi. Mesmo assim, algo em mim se agita e acabo fazendo o que, obviamente, me faz sentir raiva de mim e me julgar a mais inoportuna das criaturas. Aí mesmo é que tenho vontade de entrar na caixa de fósforos e nunca mais sair, e então me calo por completo, tendo a mais absoluta certeza de que estou te fazendo um favor... É exatamente quando você faz alguma coisa, diz alguma coisa que me faz ter a leve impressão de que você sente a minha falta, de que gosta quando sou verborrágica e me meto em toda a sua vida, mesmo sem convite ou permissão. Você parece dizer, através de alguns sinais, que esse meu exagero nato que tanto me irrita (e que é o motivo das minhas noites insones de arrependimento e promessas de melhora) te fascina, te prende e te encanta.

E aí enlouqueço e quero fugir, sumir, deixar de ser eu e, quem sabe, ser apenas mais uma mulher no meio da rua, que tem um rosto comum, uma voz desconhecida, um olhar perdido e uma roupa cinza. Uma mulher que não mostre decisão nas palavras, que não tenha expressão nos olhos, que não se vista de preto nem de vermelho, que não seduza. Uma mulher que você, talvez, nunca reparasse, nunca notasse. Eu quero, porque aí você não existiria nessa minha vida e eu não estaria tão preocupada com você.

Comentários

Fênix disse…
ah, essas sagitarianas...
por que queremos sempre abraçar o mundo?
e sermos tantas em uma só?

Beijos!!!
Renata R. disse…
Lindo, Line.
Mas acho que mesmo assim vocês iam se cruzar. De qualquer forma.
=*

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