Tudo na vida se compara à paixão

Me chamem de fria, de egoísta, ou do que quiserem: o fato é quero meu canto, só meu. Podem me chamar de loner também, I don't care. O fato é que eu preciso de espaço como quem precisa de ar pra viver - mesmo que eu divida esse meu espaço com alguém(ns) ou seja obrigada a estar sozinha para ter algo meu e só meu.

Uma coisa é dividir um espaço seu com alguém que você queira (e, por favor, pensemos de forma geral e não estritamente sexual-amorosa) mas ter aquele lugarzinho só seu: um cantinho de parede, a rede na varanda, uma cadeira de praia no quintal ou mesmo aquele sofá feio mas que já tem até o formato do seu corpo deitado nele, com a cabeça num dos braços. Outra coisa bem diferente é dividir um espaço onde você não se identifica com praticamente nada que há ali, onde ama a todos que estão com você mas sabe que nem esse amor pode resistir à sensação de presa-na-gaiola que você sente ali dentro. Sou meio bicho com essa coisa de espaço - diria que sou como uma gata, nesse ponto: adoro carinho, até gosto que me dêem comida e preciso da minha caixa de areia; mas na hora em que eu estiver me lambendo, por favor, não perturbem ou as garras podem se mostrar por mais que eu tente evitar feridas ou agressões, já que é um ato instintivo.

A verdade é que conheci as maravilhas e as agruras de se estar num lugar onde você tem que cuidar de tudo, por mais que tenha alguém que ajude. Odeio lavar banheiros, mas sempre amei eles limpos e brilhando, então lá ia a pessoa aqui fazer o que não gostava. Ok, confesso que deixei de usar algumas roupas quando não tinha quem as passasse para mim, podem me chamar de preguiçosa (o melhor adjetivo, no caso, seria inapta para a tarefa, mas deixemos esse assunto pra outra hora). Mesmo assim, o sentimento de chegar a um fim de dia num canto seu é tão bom que compensa certas mordomias perdidas e certas tarefas não muito agradáveis que somos obrigados a realizar.

Não condeno quem pense diferente e muito menos digo que não entendo. Entendo, sim, porque já pensei exatamente o contrário disso, num tempo ido há mais de oito anos - como um cego que passa a enxergar e nunca soube como era vibrante o vermelho ou como era lindo o sol nascente visto da beira da praia. Não se ama o que não se conhece, mas eu conheci. E, como (quase) todas as paixões, passei os bons e os maus momentos, mas continuo querendo pra mim o sentimento, a sensação, o coração bater forte, o desânimo, a dúvida, a incerteza e o sorriso ao se olhar para quem se quer bem.

Qualquer hora destas eu terei isso de volta - o meu canto - e sentirei o vendaval de emoções novamente, eu sei. Mas, ainda comparando com paixões, fica um vazio enquanto não chega a hora de sentir de novo. E quando chegar a tal hora do coração bater forte mais uma vez, serei feliz, mesmo sabendo que nem tudo serão flores e que dá trabalho sentir assim - mas que nada vale na vida quando não sentimos. E dormirei sorrindo mais uma vez.

Comentários

Lekkerding. disse…
Durma sorrindo agora, enquanto sonha com o seu dia.
Beijos
Renata disse…
Concordo com vc, não há nada mais gostoso do que ter o nosso cantinho, ainda que dê mais trabalho!!! E amei a comparação com os gatos!!!
beijo, querida
A Outra disse…
ai moça, to passando por isso tb.
to doida para sair daqui e ir para um cantinho só meu (e dele). por mim, seria um quartinho ou coisa qualquer, desde que eu me sentisse em casa.
estou contando os dias.

vamos conseguir.

bjsss
Eli disse…
Darling, I sooooo know how it feels! So much, I feel like a complete stranger at my folks' place. And it isn't their fault. That little house, that little town, that little state became way too little for me. And now, living with housemates for such a long time, I dream about the day I won't have to. As you said, as long i have my little corner, somewhere to call MINE. All mine.
Sisa disse…
Line, eu saí de casa com 17 anos. Rapidinho eu tava batendo asa, e morei em vários lugares depois de tantos anos longe da casa da mãe. Este ano resolvi voltar, e fiquei lá 4 meses. Eu precisava deste momento com ela, mas soube sair de novo quando chegou a hora. Ainda divido apto com amigas, mas elas já sabem: se a porta do meu quarto está fechada, é meu lugar, meu momento, e só é pra interromper se for muito importante.
Taynar disse…
Bom, pela primeira vez, estará amanhecendo, e eu precisando voar.
Portanto, conversamos daqui há uma mês ;)

Beijos, mulher!
Danielle Balata disse…
Durmir sorrindo no seu cantinho.. será que tem coisa melhor? Não.. e pode ter certeza que tudo isso irá acontecer com vc...

Beijos
osvjor disse…
já o meu canto ideal é meu banheiro. meu maior medo de voltar a ser pobre é não poder ter um banheiro só pra mim....
Fabio Fernandes disse…
É ruim mesmo, mas de vez em quando a Dona Maria baixa em mim e só fica faltando lavar o teto e lustrar as lâmpadas. No mais, todos precisamos daquele lugar só nosso mas, infelizmente (e vou mudar isso, daqui a algum tempo), me sinto à vontade apenas com a solidão. Não preciso de um lugar específico, preciso de paz pros meus pensamentos e minhas vontades. Mas que companhia faz falta, ah faz sim.

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