Uma grande figura de linguagem

Bem, o dia de Natal está a poucas horas de ir embora, então voltemos ao meu normal. Sim, ao meu normal, porque quanto ao normal de cada um, eu entendo cada vez menos.

Lendo o texto-presente que a Taynar escreveu pra mim e eu amei (até chorei quando vi que era meu presente, apesar de não ter sabido antes dela dizer), fiquei orgulhosa. E morrendo de vergonha. Sim, tudo-ao-mesmo-tempo-agora, como canta Paulo Miklos (ou Arnaldo Antunes, não me lembro bem) naquela música. Eu sou muito daquele jeito e, conforme ela me disse depois que li, "é a tua cara, mulher!". Eu até acredito que seja a minha cara pro mundo e, de vez em quando, pra mim também. Detesto amarras no sentido ruim da palavra - há amarras boas, que nem machucam - e odeio esperar, mas disso todo mundo já sabe. O problema todo reside em ainda me ver presa a estas coisas de vez em quando.

Eu sou aquela, mas sou muito diferente dela em alguns momentos. Eu questiono e não entendo as coisas e as pessoas, mas me amaldiçôo cada vez que me pego pensando em "mas, poxa, será que ele é assim mesmo, será que eu fiz alguma coisa, será que está bem?..." etc. Porque ninguém tem a menor obrigação de se explicar, eu mesma não gosto de precisar desenhar pra que as pessoas me entendam - e por isso mesmo a grande maioria me tenha como louca ou antipática ou completamente desapegada - e NUNCA me permito sequer pensar em exigir que alguém o faça pra mim. Se eu fosse um livro, talvez fosse "Hamlet" em seu original, com inglês arcaico, que só se lê com um dicionário do lado e, mesmo assim, vai ter que tentar adivinhar ou interpretar grande parte do que está escrito ali. E eu adoro Hamlet, no original. Até consegui ler metade dele - teria lido inteiro se ainda o tivesse comigo, já que ele me foi tirado num despejo marítimo, há quase um ano - e entender, mesmo que do meu jeito.

Se eu sou um livro escrito em uma língua que nada lembra a atual e de uma forma tão cheia de filosofias nada baratas (não, eu não sou modesta mesmo), como posso querer que alguém que eu goste seja "Brida"? Nem posso querer e nem quero, já que eu odiaria uma pessoa Brida. No máximo, estourando, gostaria que algumas pessoas fossem um "Good in Bed": simples, clichêzinho mas agradável - mesmo assim, que fossem este por alguns momentos, uns minutos quaisquer, e olhe lá. A verdade é que não admito querer que alguém seja alguma coisa e, ainda assim, me pego querendo, de vez em quando.

Voltando ao meu presente, eu sou aquela, sim, mas uma frase me incomodou (no melhor sentido de todos, menina!) muito e me fez pensar: "Ela não ia ficar esperando. Nem respostas, nem voltas, nem nada". Eu quero ser mais assim. Ou menos, ainda não descobri. Tem dias em que quero esperar e questionar, tem dias que simplesmente desejo não ter memória. Me pego travestida de Cruela e com jeito de Chapeuzinho Vermelho; me vejo com um look todo Rapunzel e a alma de uma Rainha Má. Talvez seja até bom ser meio paradoxo, meio solta, meio 'I don't give a tiny rat's ass' de vez em quando, mas não o tempo todo. De vez em quando, eu quero ser simples, doce e preocupada - e eu já sou, só não consigo demonstrar sem sentir vergonha ou me achar uma idiota.

Eu sou aquela, eu sou a antítese daquela, eu sou esta aqui. Não me agrada muito quem sou, mas eu tenho que aprender a conviver comigo mesma e tentar tornar a nossa relação pacífica, se possível. "Quantos EU num texto", podem pensar os que lerem isso aqui. São muitos mesmo. Mas eu sou mesmo fã de paradoxos e oximoros. Ou nem seja fã, sou feita deles. Assim, comprem uma Gramática os que quiserem me decifrar, mas já adianto que de nada adianta, porque eu sempre amei a Última Flor do Lácio e nem assim consegui me entender...

**Eu já agradeci mas nunca é demais: obrigada, Taynar, pelo presente. E que ninguém chame de marmelada, já que o sorteio foi eletrônico! Eu amei, de coração, tu sabe disso. E DU-VI-DO que precise trocar de nome, ainda! Um beijo, menina.**

Comentários

Ano Novo, é o resto de sua vida, é o daqui a pouco, é o amanhã é o tudo que está por vir.
Pegue sua força, sua vontade,e se jogue na vida. A Felicidade te espera,olhe pra frente
vibre, lute, na consciência que nada é impossivel. Se não acontecer hoje ou amanhã, vai acontecer depois.
Viva a vida em toda sua plenitude. Que seu coração lhe guie, e sua razão lhe de o rumo, o prumo.
Pegue seu sonhos coloque debaixo do braço,levante a cabeça, e vá.......Voce pode, acredite. Sempre.
Felizes anos que ainda vem.
é o que eu desejo a voce.
Maurizio.
disse…
Que legal!
Adorei o texto dela. Estou caçando quem me tirou. kkk
Beijas!

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