22 de dezembro de 2009

Passa.

O mal da vida da gente é passar. Porque tudo que passa, como o próprio verbo já diz, é volátil, volante, instantâneo. A vida da gente deveria ser, estar, mas nunca passar. Passando, a vida não é lá nada muito útil pra nós mesmos, além do acúmulo de dias e, quem sabe, de dinheiro - que, cá entre nós, nunca acumula de verdade. Quando o dia passa (vamos diminuir a quantidade da coisa, limitá-la, pra ver se alguém pensa nisso sem tanta preguiça), você não guarda nada dele; quando o dia é, foi ou está sendo algo mais, mesmo que ruim, algo se guarda, se aprende, se leva e se ganha. Mesmo perdendo.

A minha vida anda passando. Passou meu aniversário, passaram-se os dias até a antevéspera de Natal deste ano, passou a festa dos amigos, passou um monte de coisa por mim. Pouco ficou. Vejo as coisas como que sentada numa poltrona e de frente pra uma tevê feia, velha, cheia de chuviscos e meio suja até - sem nenhuma interatividade. Um belo momento eu vivi há quase um mês, quando dois dos maiores amigos casaram; outro, quando as amigas estiveram aqui, há umas quase duas semanas. Há um lindo momento vindo por aí daqui a exatamente um mês, e eu não quero ver passar simplesmente - porque eu já vi a organização dele passar muito mais do que eu gostaria. Não quero que passe.

Mas... como faz? Acho que desaprendi, mesmo com esses dois momentos que aconteceram tão recentemente tentando me ensinar de novo. Porque mal os momentos acabaram, tudo voltou a passar. Os dias voltaram a ter apenas 24h e mais nada: nem um sonho, nem um pensamento. Passaram assim, como se não precisassem da minha anuência pra isso. Os meus dias, hoje, me governam, ao contrário de como deve ser. E eu, sinceramente, não sei nem por onde começar pra inverter essa situação.

Ao menos não nesta noite.

23 de novembro de 2009

Eu tentei, mas não rolou.

Amanhã eu tento escrever de novo. É.

23 de outubro de 2009

Gastrite - a minha, a sua, a nossa, a da cidade inteira

A vida é uma caixinha de surpresas, como já diria Joseph Climber. Assim, o fato de não ter tomado Prozac, ácido nem vodka resultaram naquilo que eu tentei evitar ao pedir demissão: baixei hospital. Três dias. E ainda não sei ao certo o que tenho, mas é bem provável que seja uma gastrite.

Mas isso já é passado, pessoas, e pensemos no lado bom: dietinha forçada de gordura, massas e tal (comi um pedaço de pão e tive a impressão de que um embrião do Alien estava se revirando no meu estômago, pra vocês terem ideia) me trarão um corpitcho que eu desejo. Pena que seja pelo motivo que é, mas tudo bem.

*** ainda não me acostumei com o ideia sem o acento, sinto falta do pobre! ***

Enquanto estive lá - e mesmo antes, claro - o Rio de Janeiro e as pessoas que o habitam nestes dias resolveram dar o ar de sua graça - ou desgraça, melhor dizendo - ao mundo inteiro. Há tempos venho dizendo aqui e pra quem me conhece que o Rio já não é mais o mesmo e que anda insuportável, mas agora todo mundo pode ver isso com seus próprios olhos. E se vocês querem saber qual a maior tristeza que tenho em relação à cidade que eu amo, eu digo: não são os traficantes e a guerra, nem os policiais. Somos todos nós, e eu explico porquê.

O traficante é um marginal, tanto quanto um policial que faça acordo com um traficante. Ambos cometeram crimes e devem ser punidos, estão enquadrados na lei penal. Ok? Ok. Tudo bem que essa coisa de ser preso ou de cumprir pena não é muito bem executada por aqui, mas ao menos você pode espalhar um retrato destes caras como procurados, como criminosos, assassinos, o que seja. Mas e a criança que idolatra um cara destes e sai por aí imitando, com 12 anos de idade, cuja mãe saiu pro baile pra dar prum carinha por aí? E antes que falem de preconceito, mudemos o cenário: uma criança de 12 anos e tal cuja mãe foi prum bar chique do Leblon... pra dar prum carinha por aí? E a mulher que apareceu hoje no jornal coletando cartuchos vazios de um fuzil pra vender e comprar leite? E o cara que assiste a isso tudo na tevê e diz que "é tudo da mesma laia, tem mais é que morrer"? E o playboyzinho que é contra violência mas sobe a favela pra comprar pó ou maconha e dar dinheiro ao tráfico? E os outros playboyzinhos que formam uma gangue pra roubar carrões da moda, sem a menor necessidade, que moram muito melhor que eu? Pra estes, qualquer tipo de punição é pouca ou inexistente, e não me venham com paternalismo barato e/ou oportunista, porque eu aposto que todo mundo que leia isso aqui - TODO MUNDO, mesmo eu - já mandou um "tem mais é que morrer mesmo" ao menos uma vez na vida ou já molhou a mão do policial com uma cervejinha, mesmo estando errado. Repito: nós somos os maiores culpados.

O grande mal do brasileiro (e que é doença crônica no carioca) é o velho ditado de que no cu dos outros é sempre refresco. Cariocas em geral tem a mania de se julgarem "experrtos" demais, mesmo que ser "experrto" signifique burlar uma lei, ignorar uma injustiça ou se fazer valer de uma fraqueza alheia. Isso só gera corrupção, injustiça e esse estado de guerrilha em que estamos por aqui, e se alguém tem que mudar isso, sou eu, é você, somos todos nós. Põe a porra da mão na massa e faz alguma coisa ao invés de ficar reclamando ao vento, com o cu sentado no seu confortável sofá de casa: dê aulas num projeto, distribua alimentos, cumpra a lei, denuncie um crime, mas não espere papai-governo dar solução até pra sua hemorróida. Seja alguém nessa vida.

Eu cansei. Se você também cansou, levanta daí e vamos fazer alguma coisa. Nem que seja uma denúncia anônima, um protesto solitário ou um "não" a um pedido de cervejinha pelo guarda que te parou na blitz - já é o suficiente.

5 de outubro de 2009

Monday sucks series

Vamos lá: Titia hoje começa uma série muito educativa que será sempre publicada às segundas-feiras, com pérolas do cancioneiro popular brasileiro entreouvidas por ela durante a semana que passou. Claro que contribuições serão sempre muito bem vindas. Serão coisas engraçadas, inusitadas ou simplesmente idiotas (infelizmente, teremos várias destas por aqui, tenho certeza) que eu, por graça ou desgraça, terei ouvido ou lido. Ah, e autores estarão por aqui, quando eu julgar pertinente [/ruibarbosa]. Ei-las:
  • "Já imaginou se o @caridoso_ começa a ser simpático prestativo e gentil e confudem COMIGO???" @Cardoso , comentando seu mais novo fake no Twitter.
  • "Ah, você até que ficaria bem de unhas rosa-bebê, Aline!" Uma colega de trabalho que, com certeza absoluta, não faz a menor ideia de quem eu seja.
  • "Bom dia. Gostou do meu Soninho?" Chefe Amado, chegando abraçado com um Soninho do filho de dois anos.
  • "Já sei: toma uns dois copos de Absolut antes de ir pro trabalho! Não é ilegal como ácido nem precisa ser prescrito como o Prozac e você vai ver elefantinhos rosa do mesmo jeito!" Mãe (acreditem, minha mãe!), quando eu comentei que aguentar até o final do aviso prévio sem xingar ninguém e sem drogas como Prozac ou ácido seria um desafio e tanto.
  • "Para mim esse é o maior ponto fraco dessa história de 2016: a imensa vocação que o povo do Rio tem para achar que o governo vai, magicamente, resolver seus problemas." Cris Dias, em seu post maravilhosamente escrito.
  • "Eu preciso que a assinatura do médico esteja per-fei-ta-men-te colocada em cima do carimbo dele, por isso o documento precisa ser refeito." Um cliente hoje, por telefone, falando sobre um documento de HSE. Deve ser daqueles que usa cueca bege todo dia e divide o cabelo ao meio com Gumex.

Por hoje é só. Mande você também as pérolas do cancioneiro popular brasileiro que você anda ouvindo ou lendo por aí.

4 de outubro de 2009

High bets

Apostar suas fichas em uma única "coisa" na sua vida é altamente arriscado: seja um acontecimento, uma data, uma pessoa ou qualquer outra coisa com um/uma na frente. Acontece que todos nós somos plural, somos feitos de diversidade, vivemos com múltiplos. A não ser que você seja um eremita com acesso a internet que esteja lendo isso aqui (e, neste caso, me perdoe pela falha).

Por mais antissocial que você seja ou esteja - e eu atualmente posso falar com total propriedade sobre o assunto - há sempre alguém com quem você goste de estar, mesmo que seja seu cachorro ou, num caso mais extremo, seu peixinho dourado. Sempre tem aquele amigo de priscas eras em quem você confia e com quem bebe uma cerveja semestral. O problema maior é quando você não é antissocial mas está, seja por qual motivo for, e coloca uma data final pra essa condição ir embora, contando que, a partir de então, tudo voltará a ser como antes. Eu fiz isso e já estou vendo, com 26 dias de antecedência, que vai ser uma decepção das grandes - não das maiores, mas a frustração é garantida.

Por quê? Oras, porque meus amigos/as não têm a menor obrigação de entender porque eu me isolei no último ano, mesmo que tenha sido de forma involuntária e por consequência de uma das maiores e mais violadoras experiências que eu tenha tido na minha vida profissional. Não posso cobrar de ninguém a atenção que eu não dei durante algum tempo, por mais razões que eu possa enumerar. Porque os show, programas legais, pôr-do-sol e alvoradas não vão esperar por mim, pelo meu tempo livre e meu melhor humor. Porque o mês de outubro - ou qualquer outro dos onze meses - não vai voltar só porque eu quero. Assim, a frustração de não poder voltar atrás é certa. E eu não me engano.

Tudo bem que antes tarde do que mais tarde, tá. Daqui a 26 dias eu devo voltar a ser mais a Aline e menos essa mulher séria, tensa, mal humorada (bem... menos, filhota, porque eu acordo de mau humor mesmo no melhor dos dias e ele só acaba com o primeiro café tinto de mamãe) e desatenta com meus amigos de quem sinto saudades sempre. Mas essa é uma das lições que não pretendo esquecer: a de que o tempo não volta atrás e que sempre precisamos parar tudo e reavaliar a vida quando sentimos que ela está nos escapando por entre os dedos. Vou lembrar, tanto quanto a de que calcinha bege é broxante, café fraco é coisa de gente frouxa e colocar as pontas da tesoura nuam tomada pode ser muito doloroso.

30 de setembro de 2009

Reforma

Na Casa, na vida e em mim. Não, ainda não é desta vez que os meninos vão passar a olhar pra São Jorge, acalmem-se. Mas podem esperar novidades.

Beijo na bunda.

4 de setembro de 2009

Dona Odete vai bem, obrigada!

Titia está em casa de molho. Dona Odete está de castigo (como se isso fizesse diferença, já que desde que comecei no meu emprego atual a pobre quase não se diverte mais!) até segunda ordem e eu estou bem. Obrigada pelos desejos de boa sorte e pelas orações/preces/rezas. Dito isto, voltemos à nossa programação normal, que não é nada doce ou gentil.

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Ando querendo matar as amigas que me convidaram praquele vício do FarmVille. Eu não tenho paciência pra essas coisas normalmente, mas tou adorando ser fazendeira virtual. Merda. Mas eu amo as amigas, fazer o quê.

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Altos planos para 2010. Aguardem.

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Hoje fui convidada a jogar escravos de Jó num bar em Sampa, da próxima vez em que for visitar as amigas de lá. Sugiro que eu não alugue um carro desta vez, porque eu sempre erro no escravos de Jó. De propósito, é claro.

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Eu não me lembro bem onde falei disso, mas vou dizer aqui também: cuidado, crianças. A palavra é temida por tudo que representa num passado recente, mas verdade deve sempre ser dita e a desse caso é que falta muito, muito pouco pra ditadura se instalar nesta republiqueta. Não, não precisa ser em forma de golpe: ela também pode chegar devagarzinho, em forma de leis altamente restritivas que nem sempre visam o bem-estar do povo (por mais que assim sejam rotuladas), em forma de silêncio sobre escândalos mais que públicos e em forma de novas teorias baratas (e altamente duvidosas) sobre humor, educação e sociologia. Me chamem de louca, paranóica, o-que-mais-queiram - eu fico com a minha impressão de que, qualquer hora destas, a primeira página dos jornais mais veiculados do país virá falando sobre música clássica, arte barroca ou qualquer outra coisinha doce como açúcar.

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É por isso que eu estou levando meus planos a sério.

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A novela falar de bullying é legal, tá. Mas porra, eu sempre fui a gorda, a Orca, a Grande, a "Alinona" e tou aqui. Fala sério, gente, pra tudo há limites nessa vida. Falta de humor é coisa mais que séria, é triste - e é exatamente esse o adjetivo que eu uso pros dias atuais, devido ao excesso de preocupações inúteis e fúteis. TUDO tem limite e censurar crianças deve ter mais ainda. Censurar humor é coisa de gente que é pró-ditadura. Censurar é coisa de gente subdesenvolvida, triste - e babaca, conforme escreveu o Marcurélio no post dele dessa noite.

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O final da novela tá bom, por enquanto. Vejamos como é que vai acabar de fato. Mas as surras na Yvone renovam a gente! Agora só falta a Surya deixar a barriga falsa cair, a Silvia dar umas boas palmadas na bunda da patricinha da filha e a chata da Duda parar de chorar. Porque, né? Ô mulherzinha mais... mulherzinha!

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É isso. Vou ali descansar um pouco enquanto ainda não preciso voltar à senzala pela manhã - mas a senzala vem até mim via celular. Maldita tecnologia! Até qualquer hora destas.

12 de agosto de 2009

Um dia como outro qualquer

Eu hoje acordei com uma idéia fixa na cabeça de vir aqui e escrever um "recado" bem direto pra alguém que eu nem sei se leria. O dia foi passando, outras coisas mais sérias apareceram e a mágoa que eu sentia até meio que se abrandou. Mas não por conta de achar que eu estava nervosa ou coisa assim - simplesmente porque eu vi, graças às tais coisas mais sérias que citei acima, que a gente dá valor pra coisas e pessoas muito pequenas, às vezes. Literal e figurativamente. De qualquer maneira, desengasgo aqui e agora o que eu queria dizer. Talvez de maneira mais fria que faria pela manhã, mas nem por isso mais branda. It's just the other way around.

Amizade é dividir quando se está feliz e poupar a outra quando se está triste. É rir junto, é falar besteira, zoar até dizer chega, mas saber a hora de se ficar quieta. É poder peidar e arrotar na frente uma da outra mas perguntar se pode, em caso de coisas menos nojentas e mais delicadas - e é exatamente assim, arrotar ou peidar deve ser livre mesmo com quem se confia. Aliás (e acima dessa porra toda), amizade e confiança não existem uma sem a outra. Porque eu não ponho dentro da minha casa alguém em quem não confie, não depois de adulta. Há graus de amizade, de confiança? Claro que sim, e o importante é exatamente não decepcionar esse grau, mesmo que ele seja o menor possível, porque a decepção é a mesma se eu dou meu carro na sua mão pra você dirigir e você faz merda ou se eu te pedi segredo num presente pra uma amiga em comum e você contou. Muda a importância da coisa em si, mas você me decepcionou do mesmo jeito, na forma em que eu não esperava de você.

Eu já saí do colégio faz tempo, baby. Não tenho saco pra segredinhos infantis, namorinhos escondidos, fofoquinhas sobre a roupa da coleguinha, nada disso. Acho que antes mesmo de sair do colégio eu já tinha pouco saco pra isso, mas você sabe disso porque me conhece. E, apesar de me conhecer e passar por amiga, não o é, pelas razões acima expostas. Entenda como bem quiser, eu realmente não dou a mínima - sempre avisei que eu tenho muita paciência mas não tenho "reserva" nesse tanque e a minha acabou, ao menos com você. Não quero seu mal, muito pelo contrário: quero seu bem como quero o bem de qualquer pessoa que eu não conheça, mesmo um bandido qualquer. Seja feliz com quem quer que seja ao seu lado. Menos perto de mim, porque eu quero distância de gente em quem não confie. Beijos.

***Pra boa entendedora, me pal bas. E você é inteligente, só se julga mais malandra do que é***

29 de julho de 2009

Queimou?

Depois de longo e tenebroso inverno (e posso dizê-lo de maneira literal, já que o Rio de Janeiro anda povoado de botas, escarpes e cachecóis por necessidade e não vaidade), eis-me aqui. E voltei pra contar pras crianças que lêem a titia aqui uma historinha muito engraçada que aconteceu ontem à noite.

Pra começar: ontem eu fui ao show do Ritchie, no Bailinho. O show foi foda, o Bailinho é legal pra cacete (achei um lugar onde não há o pré-requisito de ser parecido/a com um dos Jonas Brothers ou com a Ashley Tisdale para entrar, apesar de ter encontrado alguns clones) e me diverti muito. Encontrei amiga Rosana lá, de surpresa, muita gente bonita, um clima bem legal. Explicado o local, vamos à estória:

Pra quem não sabe, eu sou fumante. Tá, eu já sei que faz mal, que fede, que eu vou morrer cedo, etc. etc. etc. Não é esse o foco. Mas estava eu com minha amiga-companhia pra noite de ontem (as duas velhas-corocas-mór-que-não-tem-mais-paciência) até felizes de estarmos num lugar onde ter conhecido o Ritchie quando ele fez sucesso com Menina Veneno pela primeira vez não era sinal de senilidade, quando eu fiquei com vontade de fumar e sugeri que saíssemos da parte de dentro porque estava cheio o lugar. Eu não gosto de fumar num local com muita gente; sei que sou eu a viciada e ninguém tem culpa disso. Mas tava frio lá fora (ainda era cedo) e nem tão lotado, quando amiga sugeriu "ah, dá pra fumar aqui" e eu acendi o cigarro. Um minuto depois, uma patricinha-Ashley-Tisdale-clone esbarrou na minha mão que estava com o cigarro (sim, porque ela era A rainha do lugar, dentro da cabecinha dela, coitada) com as costas, onde o cabelo estava. Eu assustei, claro, mas o cigarro não tinha encostado no cabelo - dos males o menor. Eis que neste momento a pettit (media no máximo 1,65m de altura, DE SALTO) vira para mim com seu olhar fulminante (ela deve achar fulminante, tenho certeza) e pergunta, com a voz tal qual Darth Vader: "QUEIMOU?!" Eu respondi que não, só minha mão havia encostado nela. "AINDA BEM", disse a demônia-mirim, e saiu andando.

Passado um minuto de silêncio entre eu e amiga minha, caímos na gargalhada, de chorar. Fala sério, maluco, quando é que aquela anã e suas amigas-anãs tomaram chá de espinafre do Popeye? Se ela resolve fazer alguma coisa comigo, eu segurava a testa dela e a deixava batendo ao vento, que nem os meninos mais velhos faziam com os menores. Mas, ainda rindo, minha amiga manda a melhor frase sobre o assunto:

"Esta não era a pergunta pertinente. A pergunta pertinente seria: 'tá pegando fogo?', porque daí a gente diria 'sim, vamos apagar!'. Queimou? Já foi, criança, senta e chora."

É por isso que eu amo as minhas amigas.

Eu juro que levei cinco minutos pra escrever a última frase, porque choro de rir a cada vez que me lembro dela. E a frase está aqui reproduzida tal como foi dita. Thanks, friend, pela companhia ontem, foi show.

24 de julho de 2009

Pára, porra!

Eu comecei a escrever um texto todo sério sobre crise dos 30, mudanças, maturidade, autoconfiança e percepção social de tudo isso. Tava um saco, então apaguei a porra toda e vou dizer, curta e grossamente, o motivo de tanto blablablá.

As novidades são: cortei meu cabelo curtinho e achei lindo; vou tatuar o dragão chinês que sempre quis nas minhas costas, agora que o cabelo ajuda na composição visual da coisa; comprei uma lingerie rosa bebê pela primeira vez na minha vida adulta.

A minha explicação é: não é crise dos 30 porra nenhuma, já que eu sempre quis cabelo curto, tou adiando a tatuagem há ANOS por conta de questões profissionais e nunca tive preconceito com rosa bebê, só nunca tinha achado uma lingerie dessa cor que eu gostasse. A mania que o povo tem de dizer que as pessoas que mudam muito na época dos 30, 30 e poucos é por causa de "crise", para "se achar novamente" me irrita. Me achar de cu é rola, já que eu sou grande e não consigo me fazer perder de vista nem pra quem eu quero, quanto mais pra mim mesma. E crise...? Que crise, cara-pálida? Mais experiente, ainda com a aparência jovem, 52Kg mais magra do que aos 25 e com muito mais conhecimento... Só entra em crise quem é besta. Eu? Eu estou amando. Do capeta, inclusive, também, sim senhor.