O virtual que não o é

Hoje o Edney postou sobre os 25 anos do Smiley, de forma excelente, como ele sempre faz, e me fez lembrar de uma época muito legal, onde conheci muita gente que nunca mais deixou de fazer parte da minha vida: a época do IRC. Era mais ou menos como hoje acontece com os blogs (ou tende a acontecer, de agora em diante), pois com certeza nos afinamos mais com uns do que com outros, criaremos amizades fortes, outras mais leves, mas passamos a fazer parte das vidas uns dos outros aos poucos, lendo o dia-a-dia de cada um, aprendendo um pouco do outro a cada palavra. Uns ficarão pra sempre, outros passarão rápido; o importante é que todo mundo vai ter a memória dos momentos compartilhados, via internet ou ao vivo, em eventuais encontros.

Já ouvi várias pessoas dizendo que a internet é fria e mentirosa, que não é real. Bem, pode ser verdade pra alguns, mas posso dizer (por experiência própria) que não precisa ser assim - e que é bem melhor quando não é. Na época supracitada, a "galera" da sala se encontrava uma vez a cada mês, pra um chopp, e a cada Natal tínhamos os IRContros de Natal, que eram os maiores - houve um com 70 pessoas - e, com esse toque de realismo, não havia máscara que ficasse no lugar. Eram noites ótimas, porque todo mundo ali se conhecia muito bem por dentro, o exterior era secundário. Vi surgirem amizades e amores - alguns que estão aí até hoje, com filhos e casamentos - e até hoje mantenho as minhas amizades. O amor durou cinco anos, no meu caso, muito felizes, mas graças a Deus virou uma linda amizade.

O ser humano nunca vai deixar de ser humano, nunca será apenas um avatar ou um nickname, e não é um medo tão estúpido que vai impedir o progresso da tecnologia. Acho que devemos todos pensar nela como nossa aliada e não nossa inimiga. Porque é graças à tecnologia que vocês lerão mais um texto ruim meu e, mesmo assim, voltarão aqui ;-)

Comentários

Lekkerding. disse…
Concordo plenamente, mesmo porque muitas das minhas amizades atuais - até meu caso esquisito que nunca se define direito aí no Rio - se desenvolveram na net. Entendo quem ache a internet fria e até suspeita por não sabermos quem vai do outro lado do monitor; mas, uma vez conhecendo, essa suspeita e essa frieza desaparecem...

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