A cidade fantasma

Farol de São Tomé é um distrito da cidade de Campos dos Goytacazes, no Estado do Rio de Janeiro. Lá está o Heliponto de São Tomé, da Petrobras, usado para o embarque e desembarque de pessoas às plataformas de petróleo da Bacia de Campos. Bem, essa é a informação técnica da coisa, agora vamos ao porquê eu chamo o Farol de cidade fantasma.

O verão em Farol é agitado, tem show todo fim de semana, o carnaval é bem agitado também (não diria que é bom, mas tem quem pense assim). Mas o inverno, ah, o inverno... Não tem ABSOLUTAMENTE NADA pra ser feito lá no inverno: o distrito fica apenas com seus (poucos) moradores e a população flutuante de embarcados – que está sempre sedenta de cerveja e diversão, mesmo que, conseguindo isso, embarquem de ressaca no dia seguinte. São várias pousadas quase que conveniadas às empresas offshore, que recebem os “embarcados” diariamente, e disso vivem ao longo do ano (a não ser no verão, claro, quando chega a ser difícil ficar hospedado em qualquer lugar a fim de embarcar no dia seguinte).

As pousadas têm seus restaurantes, que acabam sendo a única diversão da galera nas noites que antecedem os embarques que não durante o verão. Mas a questão principal não está nessas noites e sim no dia em que o embarque não acontece (por causa de balanço, mau tempo ou qualquer coisa do gênero), que é quando o povo pira geral e quer aproveitar tudo num dia só. Posso dizer que a sensação de ficar mais um dia em terra sem esperar por isso, mesmo que seja na cidade fantasma, é a mesma de quando somos crianças e a mãe da gente diz que hoje não precisamos ir à escola, assim, do nada: aquela alegria e aquela vontade de fazer tudo ao mesmo tempo agora. Claro que, se pudéssemos saber de antemão que não iríamos embarcar, ficaríamos felizes em casa por mais um dia, com Internet, na nossa própria cama, junto de quem gostamos... Mas imprevistos, como o próprio nome diz, não podem ser adivinhados, então trabalhemos com o que temos em mãos. Às vezes aparece alguma coisa: um forró, um baile, qualquer “motivo”, como o povo por lá diz, e aí mesmo é que o pessoal fica doido... Fora esses acontecimentos inesperados, o que se faz num dia como esses é beber, jogar conversa fora e dormir - o que, embora pareça pouco, pode se transformar em história a ser contada a filhos e netos.

Bem, apresentada a cidade fantasma e o que ela representa pra quem trabalha embarcado, vou deixar as histórias sobre esses embarques adiados pra outro dia... Aguardem ;-)

Comentários

Fênix disse…
dá para imaginar a sede do povo por terra.
e tenho pena dos comerciantes e pequenos empresários dessa cidade fantasma. dependência é fogo.

bjs, querida! saudades!
Cinthya Rachel disse…
espero que tenha aparecido algo divertido! pq nao adianta nao embarcar e ficar sem fazer nada, deve ser um tédio! beijos
Elise disse…
E embarcada? Tem diversão?? Vc fica 15 dias direto só trabalhando ? (gulp)
Aline T. H. disse…
Fênix, eles se garantem nos verões sempre... assim eles sobrevivem. É como funcionam muitas das "cidades de praia" aqui do Rio.

Cin, eu só dormi nesse último embarque adiado, tava mals, lembra? Mas deu pra descansar, ao menos ;-)

Elise, tem academia, joguinho de buraco à noite, piscina e quadra - um dia vôlei, no outro futebol. Dá pra gente se distrair um pouco, rs.

Beijos, meninas!
Elise disse…
Caraca!! Praticamente um clube!! Gostei.
Helen disse…
Eu tb achei ótema a vida de embarcada!

Mas não deve ser assim tão fácil, né, aline ;)

vc está notando uma vibe meio down na blogosfera? Tá estranho...

bju!
Aline T. H. disse…
Elise, o que falta é tempo, baby, pra aproveitar... de qualquer forma, dá pra levar ;-)

Eu tô sentindo mesmo, Helen, uma coisa meio dark esses dias... sei lá. Vamos dar um jeito de mudar isso, vamos? Aliás, temos que marcar o povo do Rio e nos reunirmos pra um chopp e muita fofoca, rs. Ah, e não é tããão fácil - não se esqueçam do aluno que me enlouquece diariamente!

Beijos meninas!
Cris disse…
oi, aline. obrigada pelas palavras carinhosas lá no blog.

ah. e quanto a estar embaracada. tenho uma aluna na UFF que trabalha em macaé, embarcada num rebocador norueguês ou finlandês. bizarro. e você é teacher também, né? ô, raça pra se espalhar pela internet, seo! ahauhauhauhauhaua! bjs
Aline T. H. disse…
Magina Cris! Vc foi prof. no CAp, e por isso já gostava de vc antes de te 'conhecer' ;-) Mais ainda agora!

É, acho q a sina das teachers é desabafar via conexão de alta velocidade, hehehe.

Beijos!

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