Explicando

O comentário do Worklover no post sobre o casamento me fez pensar – e, conseqüentemente, querer escrever aqui – sobre a maneira como cada um encara a morte. Só peço que não fiquem chocados ou ofendidos, ok?

É muito complicado falar da morte, porque cada um encara de um jeito. Eu, particularmente, me choco com mortes prematuras, causadas por atos de violência, claro, mas tenho bem guardada, dentro de mim, aquela famosa máxima: só peru de Natal é quem morre de véspera. Não, não é piada e não estou fazendo troça com a morte ou com o sentimento das pessoas quanto a ela, de forma alguma, cada um a encara de um modo muito particular, já disse, mas eu sempre a vi assim. A única certeza de que se tem na vida é a de que iremos morrer um dia, e não falo isso com pessimismo ou amargor, pelo contrário: por ter essa certeza e encarar a morte como conseqüência natural da vida é que vivo meus sentimentos, minhas vitórias, minhas derrotas (principalmente quanto às lições que trazem consigo) e meus momentos o mais intensamente possível, por isso é que sou meio over em tudo que faço.

Pode parecer frieza demais para uns, falta de respeito para outros, mas lhes asseguro que não é nada disso, não é nada além da minha maneira de respeitar e sentir a morte de quem seja, próximo ou não. Acidentes e crimes me fazem chorar pela violência que contém, pela ausência de sentimento tantas vezes presentes nesses casos... Mas a morte, em si, eu trato com respeito pelo que ela é: uma passagem, uma mudança de ambiente, uma mudança de casa, eu compararia. Dói muito pra quem fica, sempre, mas cansa de ser um alívio pra quem vai, como no caso de doenças degenerativas, por exemplo. O que SEMPRE faço (até mesmo quando passo na rua por um corpo, coisa tão comum nos dias de hoje) é uma prece por quem vai e outra por quem fica, pra que sejam amparados, todos.

Por isso tudo é que falo da morte com naturalidade e sem tristezas eternas – essas, então, só fazem mal a quem já partiu, são vibrações muito ruins. No caso do post abaixo, falei dos velórios porque meus avós e seus irmãos e irmãs quase todos ainda são vivos (e estão bem, graças a Deus), mas estão na casa dos 80... Eu gostaria que ficassem comigo pra sempre, claro, mas seria egoísmo meu e sei que não será dessa forma, então preciso saber que um dia (que não chegue tão cedo!) vai acontecer. Não quero aqui convencer ninguém de que o meu jeito é o certo, não. Só queria mesmo falar sobre isso e explicar ao meu querido amigo porque o post aqui embaixo era 100% alegre, sem tristezas embutidas =)

E chega disso, porque hoje é sábado! Enjoy, mesmo que seja como eu: em casa, quieta, me preparando pruma sessão de cinema com a família. Beijocas a todos.

Comentários

Ingrith disse…
Oi Aline, retribuindo a visita. Sobre a morte, penso assim como você, as vezes me acho estranha por não ficar chorando pelas pessoas que já foram... Mas acho que vc entende né?

bjs e bom domingo
Fênix disse…
Mais difícil que a morte (ou o que pensamos dela) é admitir que não choramos pelos que foram (a depender das circuntâncias) mas sim pela falta que fará nas nossas vidas. Puro egoísmo.
Beijos!
André Rafael disse…
Aldous Huxley deu boa idéia a respeito, mas no mundo violento em que vivemos, em que a morte trágica é cotidiana, é difícil acostumar às perdas inesperadas. Melhor quando dá tempo de absorver a idéia da morte antes da partida.
Beeijo,
Cinthya Rachel disse…
tb encaro do mesmo jeito que vc. e semore faço uma oração nesses momentos. creio que é mil vezes pior pra quem fica, e um renascimento em outro lugar, melhor e mais bonito para quem vai!
Aline T. H. disse…
Bom saber que não sou a única a pensar assim =)

Beijos, kids.
Lekkerding. disse…
Penso da mesma forma, mas sinto diferente. Guardo minhas saudades de quem já se mudou - e ainda choro às vezes, porque foi muita gente.

Mas sempre peço pra arrumarem minha futura casinha por lá e que aproveitem os dias de glamour nas piscinas do Paraíso deles.

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