Isso não é um post

Eddie Vedder canta "I'm still alive" e eu juro que gostaria muito de cantar junto, mas não posso - já passa das onze e o prédio inteiro acordaria, se eu o fizesse tão alto quanto tenho vontade. Chovia bastante quando eu saí do trabalho hoje, mas eu não podia pegar chuva com a sandália que eu usava, já que podia cair e pá: olha a merda feita, a mulher enorme com pé torcido e chorando em público, que nem uma retardada. Fiz duas medidas de brigadeiro há uns vinte minutos, mas não posso comer porque engorda e nem faz crescer. Queria muito mandar meu chefe catar coquinhos e a vaca que trabalha comigo à merda, mas não posso porque dá processo. Algumas pessoas que conheço merecem ouvir umas verdades, mas não posso dizer porque não tenho nada a ver com a vida delas, teoricamente falando. Eu quero mandar tanta gente, mas tanta gente, se enxergar (no bom e no mau sentido)... Mas quem sou eu pra mandar qualquer coisa?

Eu tenho opiniões formadas, princípios, sonhos e propósitos, mas ninguém dá a mínima pra isso. E nem deveria, já que são meus. Se eu dou atenção às pessoas e ao que elas me dizem, faço porque quero e não porque sou obrigada de alguma forma, então também é problema meu caso uma pessoa que eu considere, goste ou mesmo ame seja indiferente, ingrata ou mesmo fria comigo. Eu não cobro nada de ninguém além de respeito e, mesmo assim, admito ser cobrada de mil outras coisas - eu mesma me cobro por isso, nem precisa vir de terceiros. Eu me isolo constantemente, por motivos diversos, mas NUNCA porque estou feliz demais pra me lembrar dos outros, por isso não corro atrás de quem se isole de mim, já que não sei qual o motivo - e por mais que, quando isolada, tudo que queira é que uma ou outra pessoa chegue, diga oi, sorria e se vá, só pra mostrar que está ali. Meus Amigos são pessoas que vejo com a mínima periodicidade possível, talvez porque me conheçam o suficiente pra saber que eu sou assim: sumo mas nunca esqueço de quem gosto. Detesto que me digam que vão ligar ou me mandem esperar por alguma coisa, porque eu não espero nada, nunca - ora porra, se é não, é não; se é sim, é sim, e não me venha com esta porra de "ah eu te ligo mais tarde e te dou resposta, ESPERA". O que é ainda pior: eu acabo nem me emputecendo por tanto tempo, porque quem faz isso comigo não merece que eu perca nem tempo nem energia me emputecendo. Apesar disso, eu perdôo fácil. Mas aprendo.

Não me julgo uma pessoa boa, sou cheia de defeitos e erros, mas tem horas que me canso. Canso de cuidar e não dar trabalho - tem sempre um dia que a gente tá meio barro, meio tijolo e o que mais quer é mimo - e quase ninguém entende ou percebe isso, já que sempre estou disposta a cuidar, a animar, a conversar ( e eu que me foda mesmo, quem mandou acostumar todo mundo bem?), então todo mundo acha que é só mau humor. Já magoei alguém pro resto da vida (e sabe Deus por quantas encarnações eu vou pagar por isso) e já fui altamente sacaneada, espezinhada e pisada, mas a segunda parte eu agüento bem - o caso todo não é ser eu a sofrer, porque eu sei que eu dou conta, mas fazer alguém sofrer é algo que me torna uma pessoa desprezível, ainda mais se for alguém tão bom, como é. E quanto a quem me fez sofrer, eu só tenho pena e torço pra que seja feliz, não desejo mal.

Sou altamente competente, absolutamente capaz de fazer várias coisas ao mesmo tempo e tenho temperamento forte mas justo. ODEIO levar esporro, por isso não erro - e quando erro, tomo esporro de boca fechada. Não admito levar culpa de erro alheio, nunca, e isso me mata quando não posso contestar (na verdade, está me matando aos poucos, atualmente), mas não perco a razão. Aliás, perder a razão é altamente perigoso pra mim, já que o limite de paciência é grande, mas uma vez atingido, é sem retorno. Trato todo mundo da mesma forma, do porteiro ao Gerente, da faxineira ao engenheiro, porque cada um tem uma função e é responsável por ao menos uma coisa de importante no processo (quero ver o gerente lavar as mãos na pia que ele deixa imunda, se a faxineira não limpar).

Essa sou eu. Estou meio perdida, mas me encontrando. Ando muito aparecida, mas devo sumir. Quem sabe amanhã eu escreva, quem sabe passe meses sem dar notícias. Sinceramente, eu hoje não tou nem aí pra ninguém que não se chame Aline, tenha 31 anos completos recentemente e precise descansar urgentemente. Eu tou aí pra mim, e se alguém mais estiver, é bom saber, mas sinceramente não é o que mais importa. Se ninguém estiver, é mesmo o que eu esperava, nada mais.

Comentários

Danielle Balata disse…
Também tou aí pra ti.
Fabi Rezek disse…
Aline, nunca pensei que daria vontade de voltar pra "casa do cacete"...me senti super à vontade nesse seu NÃO post.
Sensacional!!!

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