Algumas palavras que o Direito me ensinou

Quando se estuda Direito, convive-se com duas maneiras diferentes de execução de certos atos jurídicos: quase tudo pode ser feito de maneira tácita¹ ou de maneira expressa².

Significados dados, vamos ao porquê da explicação acima (e da referência ao curso superior ainda não concluído por mim): nunca fui tácita. Se fui, foi por mera covardia e de forma inconsciente, o que reprovo veementemente em mim. E não gosto que lidem comigo tacitamente, de maneira nenhuma – prefiro um “vai se fuder” direto e reto a um elogio forçado ou um sorriso amarelo. Sempre fui a favor da forma expressa das coisas, às claras, sem rodeios, sem rapapés. Até porque sou meio devagar pra entender algumas coisas, pelo fato de ser meio ‘inocente demais’ em alguns aspectos da vida (falta de experiência, eu acho, mas ainda nem fiz cem anos, então...).

Sei que é uma questão de educação, às vezes, não dizer as coisas diretamente a alguém (mamãe fez o trabalho dela de me educar, mesmo que eu não tenha assimilado tudo), mas não é esse o caso que me incomoda; ao contrário do que algumas pessoas pensam, ‘pesco’ as coisas no ar e sei quando alguém omite alguma coisa ou disfarça uma palavra mais feia por educação, e não acho que seja errado. A coisa toda que me dá raiva é quando alguém que não precisa ter nenhum tipo de cerimônia com você começa a agir ‘tacitamente’ – é mais fácil, obviamente, assim essas pessoas não precisam dar a cara pra bater e não se arriscam a ouvir nada que não lhes agrade, né, porque quem fala o que quer pode ouvir o que não quer – o que, pra mim, é a mesma coisa que me chamar de burra. Sinto muito, mas burra eu não sou. Posso ser meio lenta, meio ingênua, meio imatura, vá lá... Burra? Não, senhoras e senhores, disso eu tenho certeza absoluta. Além do mais, essas pessoas conseguem despertar em mim uma coisa que raramente alguém consegue: desprezo. Assim, indiferença mesmo, sabe, ‘cagando e andando’. E desprezo, pra mim, é pior do que ódio ou raiva ou mágoa, porque não tem volta – ao menos nunca teve antes – e nem me dói tanto assim, depois de alguns minutos. Sou irreconhecível quando desprezo alguém e chego a ter medo de mim mesma nessas horas.

Não sei se concordam ou discordam, se eu estou certa ou errada (ou ambos), se é um defeito ou uma qualidade, mas é assim que funciono. Não se preocupem comigo, o post é só um desabafo depois de uma conversa com uma amiga que, na minha opinião, vem sendo chamada de burra a cada dois minutos – e, pra ser coerente com tudo que disse aqui em cima, já a alertei, mesmo que de maneira mais suave. Suave, sim, mas não tácita. Nunca.


¹ tácita – fem.sing. de tácito

do Lat. tacitu, calado


adj.,
silencioso;
calado;
taciturno;
secreto;
subentendido;
implícito.

² expressa – fem. sing. de expresso

do Lat. expressu

adj.,
preciso;
claro;
exarado;
explícito;
concludente, formal, terminante.

Comentários

Helen disse…
Eu também prefiro express myself. As mensagens tácitas a gente guarda pra fazer charme, certo? rsrs

Mas, Aline, sei que sou muito desiludida em relação a seres humanos, mas mesmo assim, minha opinião: na maior parte do tempo, quando as pessoas tem uma opinião e não as expressam, elas nem estão sendo só tácitas(ou políticas ou fleumáticas). É mais omissão mesmo, um sutil me deixe fora disso. Nesse caso, sou muito mais a latinidad exacerbada rsrsrsrs
bjk!
Fênix disse…
to com medo das nossas muitas semelhanças.
será que eu sou um clone de vc? rsrsrs
bjs!!
Ingrith disse…
Pior sou eu que fiz Relações Internacionais e sou totalmente diplomatica.

Sei qdo tem alguem me enganando, mas tenho vergonha de desmascarar... vê se pode?!
Aline T. H. disse…
Helen, eu concordo com vc! Por isso mesmo disse, ali no meio, que era mais fácil ser 'tácito', pq não há risco de ouvir o que não se quer e ficar de fora. Mas no caso em questão, chega a ser um insulto mesmo.

Fênix, acho que somos gêmeas de alma, só pode!

Ingrith, sei como é... duro mesmo.

Beijos e bom dia, meninas!
Cinthya Rachel disse…
vc acabou de arranjar mais uma gemea! ia escrever sobre isso hj no blog, acredita? olha, é horrivel gente falsa, pra mim é um dos piores defeitos. nao gosta de mim, nao finge. e colega, qdo eu fico assim (momento desprezo) tb nao me reconheço, e nao gosto do que vejo. beijos
Aline T. H. disse…
Cin, então fundemos um clube de abrangência nacional, pq vc tá em Ctba, eu aqui no Rio e a Fênix, na Bahia...

Tb me detesto qdo desprezo alguém. Ecow. Beijocas!

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